Dom Casmurro, de Machado de Assis

Esta é uma releitura da obra. Ao contrário de uma maioria, eu adoro os clássicos da literatura brasileira. Muitos tive conhecimento a partir das aulas de literatura, e não via nenhuma barreira com a lista imposta pelos vestibulares da vida (menos O Cortiço, que realmente me foi desagradável do início ao fim: história, personagens e narrativa).

E também indo contra uma parte mais acadêmica, por assim dizer, não fico procurando cabelo em casca de ovo, leio pelo prazer de ler os clássicos, vivendo o que a história me permite. Somente quando necessário, busco interpretações e possibilidades novas. Mas o comentário da leitura de hoje não vem com polêmicas rsrs

Imagem ilustrativa, li a edição em ebook

Na primeira vez que li Dom Casmurro, ainda na escola, gostei bastante da história. Não sabia se Capitu havia ou não traído Bentinho, sempre quis saber a versão de Capitu (ainda quero!) sobre o caso. Anos depois, estou relendo por obrigação, acredito que por isso a leitura foi tão arrastada. Pelo tamanho do livro, leria em um ou dois dias no máximo, mas a minha leitura durou a semana inteira. Muita coisa nem lembrava, e adorei a conversa do narrador com a leitora, fiquei me imaginando no século XIX pegando em folhetins *-*

Sinopse:

O marido, a mulher, o amigo íntimo. Adultério? Esta dúvida, que corrói o espírito do narrador de Dom Casmurro, pode ser esclarecida? Neste romance, Machado de Assis propõe um surpreendente enigma, enquanto focaliza com a habitual ironia a sociedade de seu tempo e apresenta algumas das personagens mais perfeitas da ficção brasileira. Publicado originalmente em 1899.

Fonte: Skoob

Adoro romances históricos, sim, porque esse poderia se enquadrar sob o termo. A dúvida sempre constante no Bentinho, apelidado de “Dom Casmurro” por um conhecido que pegava trem com ele, é tão angustiante que deixa o leitor em conflito. Nessa minha releitura, estou propensa a pensar que Capitu traiu sim ele, mas, tudo pode ter sido um terrível engano.

E os protocolos sociais da época? E as casas antigas, que ainda tinham escravos?! E o linguajar… acho tudo muito encantador.
Desde o princípio Bentinho conversa com o leitor, no caso, leitora, pois é assim que se refere, indicando que era mesmo literatura para as mulheres letradas (não que as outras não pudessem ter acesso, mas isso me renderia uma pesquisa sobre os hábitos de leitura do século XIX no Brasil). Imagino se eu fosse homem, se me sentiria incomodado com isso…

Divagações a parte, Bentinho nos apresenta Capitu, exatamente no momento em que ele descobre pelo agregado José Dias que é apaixonado por sua amiga de infância. Se fosse apenas a descoberta… mas uma promessa tão antiga quanto ele foi feita por sua mãe, que ao perder o primeiro filho, prometeu a Deus o segundo, se este vingasse. E vingou! Um rapagão que aos 15 anos seria encaminhado para o seminário, estudar teologia, latim e outras matérias e assim se tornar um padre, ou um protonotário eclesiástico (como seu tutor o foi), um bispo, ou até um papa, como pediu o tio Cosme.

O melhor é que no mesmo dia, descobriu que seu amor era correspondido. Bentinho e Capitu sempre foram próximos, não podíamos esperar algo diferente, mas tiveram que esconder seu amor. O romance à distância, já que Bentinho não conseguiu escapar, foi uma tortura para o menino, que encontrou alívio na amizade de Escobar, mais um futuro ex-seminarista. Ao longo de um ano a amizade deles se estreitou, D. Glória pode pagar sua promessa de outro jeito, e seu filho Bentinho foi estudar Direito. Quando retornou, o bacharel pode finalmente casar com Capitu, sua amada de tantos anos. Seu amigo Escobar também casou-se, com Sancha, melhor amiga de Capitu, e a ligação entre os quatro ficou cada vez maior. E ai você pensa que o final é feliz, não é?

Nada disso, o destino de cada personagem beira à tragédia. Mas apesar de um clássico, não vou entregar spoilers para futuros leitores.

Termino a leitura pensando: Capitu é uma safada traidora e cara de pau, ou Bentinho é tão ciumento que via coisas que não existiam?

Agora sim, estou aberta a teorias 🙂

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3 thoughts on “Dom Casmurro, de Machado de Assis

  1. Adoro este livro. Li aos 13 anos, para prova, mas não foi nenhum problema, porque o Machado escreve tão sucintamente que não cansa como Eça de Queirós, em A Cidade e as Serras (lastimável ¬¬’). Nem a história é tããão interessante assim, mas o personagem cativa e você acaba se envolvendo com a trama e nem percebe.
    É cômica a solução dada para que Bentinho não precisasse cumprir a promessa da mãe.
    Se não assistiu, recomendo muito a minissérie Capitu, realmente ótima.

    É daqueles clássicos que não cansamos de ler, reler, reler, reler… E acada uma, você consegue interpretar de uma forma diferente. Fascinante. ;D

    @rafaschiabel
    http://lembradaquelahistoria.blogspot.com/

    • eu também li mais ou menos com essa idade, acho que meu primeiro contato com Machado foi com o Alienista, e adorei.
      até agora não tenho do que reclamar dele, só tenho implicância com Quincas Borba por conta de uma adaptação chatíssima que assisti no colégio, todos os personagens me irritaram.
      um dia eu crio coragem pra ler a obra 🙂

  2. Nossa, fui ler esse livro quando já tinha me formado na faculdade! Não li nem pro vestibular, rsrs…
    Eu li mais por se tratar de um über clássico da nossa literatura e também por curiosidade. Sabe aquelas coisas que você “tem que fazer na vida”? Então… um book eater que se preze tem que ler Dom Casmurro!
    Legal que você curte os clássicos! Acho chique, rs…
    Gostei da sua resenha!

    beijão!

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