Obsceno abandono: amor e perda, de Marilene Felinto

Esse certamente seria um livro que dificilmente eu leria, se o professor não tivesse passado para discussão na próxima aula.

Essa obra é uma novela que faz parte  da coleção Amores Extremos da editora Record, que tem a proposta de trazer “uma seleção das melhores escritoras brasileiras da atualidade”.

Bem, pelo título e pelo nome da coleção, já dá para saber o clima que envolve o enredo… mas antes de começar meu comentário sobre a experiência de leitura, vamos a sinopse:

“Deveria haver uma lei que proibisse a obscenidade do abandono. Um decreto cheio de artigos, parágrafos, itens e subitens que proibissem a usurpação das ilusões e as fraudes amorosas. Que estabelecesse o direito humano inalienável e incontestável de ser amado pela pessoa amada.

Ser abandonada. Como uma bofetada. Que não pára de arder e de ressoar nas mínimas coisas que ficaram. Do abandono, tem dias que se acorda com cara de louca. Ou dias que, se é que acorda, não se tem como saber, porque o pesadelo não é interrompido. Em Obsceno abandono, Marilene Felinto se permite dissecar a dor do amor partido – sem pejo, sem salvaguardas, sem vergonha de sofrer e de reconhecer-se sofrendo, até um extremo que não se imaginaria suportável.

Nesta novela amorosa, vergonhoso, obsceno, é abandonar o ser que ama. A palavra dilaceramento se firma como contrapartida eventual da coragem de quem corre o risco, da dignidade da entrega desmedida. A dor é parte, apenas isso, dessa mesma grandeza.”

De todas as sinopses que me recordo ter visto em vida, nunca achei uma mais apropriada. A obra de Marilene não é indicada para quem está na fossa, está deprimido, descrente do amor e com a autoestima abalada.

Sem exageros, ainda bem que li focada na aula que vou ter, e que estou com o humor neutro, nem feliz e nem depressiva, porque esse livro poderia ter causado um estrago em pleno domingo.

O livro tem 84 páginas, coisa de se ler em uma sentada se conseguir aguentar as lamúrias da protagonista (que salvo engano, não se identifica em momento algum). Acredito que todas as pessoas dotadas de algum tipo de emoção já se interessou/apaixonou por alguém um dia e sofreu uma desilusão: ou a pessoa não era o que esperava, era um amor platônico, foi usado(a), traído(a)… enfim. Acontece que a protagonista acabou de levar um “chute na bunda” do seu amante, e está na pior – mesmo!

A novela é bem introspectiva, me lembrou um pouco Clarice – apesar de não se parecem em estilo e forma – e cheia de digressões. Ela está lavando roupa num sábado à noite, e parece que tudo que vem a seguir são pensamentos e que, quando a novela acaba, ela ainda está lá, estendendo roupa.

O presente bem sofrido e doloroso, recuando até o passado mais distante, das primeiras desilusões ainda criança, até o presente de novo. É um turbilhão de tristeza tão grande… Até os momentos felizes que são lembrados, dão boas vindas a uma imensidão de amargura!

Mas o final me trouxe esperança. Mesmo me identificando com ela na minha fase mais adolescente, cheia de dramas como “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor”, mesmo com as recaídas e atitudes babacas feitas pela protagonista – algo que eu acho que jamais faria rsrsrs – senti que ela começou a superar esse mês maldito.

Não é uma leitura recomendada para pessoas pudicas ou menores de 16 anos, tem muita coisa carnal, muito sexo, então nem todo mundo vai lidar bem com os desabafos dela.

Quanto a Charles, bem, você é um canalha e deveria estar sozinho. Isso não se faz com ninguém! Ou se tem uma relação aberta de vez, ou curte a vida sem se prender a ninguém, oras bolas!

Agora, para aula, vou ler uma dissertação sobre o mesmo livro. Quis escrever logo minhas impressões antes de ver a interpretação de outra pessoa. Será que minha opinião continua?

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