[TAG] O desafio dos livros – dia #7

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Dia 7: Melhor citação de livro

 

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— Se quiser me agradecer — respondeu ele —, faça-o apenas em seu próprio nome. Não nego que o desejo de lhe causar prazer tenha contribuído também para o que fiz. Mas a sua família não me deve nada. Respeito-a muito, mas creio que foi só em você que pensei. Elizabeth ficou tão embaraçada que não soube o que responder. Depois de uma curta pausa, seu companheiro acrescentou:
— Tenho a certeza de que é generosa demais para fazer pouco-caso dos meus sentimentos. Se os seus são ainda os mesmos que manifestou em abril passado, diga-o imediatamente. Minha afeição permanece inalterada; basta porém uma única palavra sua para fazer com que me cale para sempre.

Elizabeth, sentindo a difícil e aflitiva situação em que Darcy se encontrava, se esforçou para falar. E, embora de forma hesitante, deu-lhe a
entender imediatamente que os seus sentimentos tinham passado por tão grande transformação desde o período a que ele aludira, que agora podia aceitar as suas declarações com prazer e gratidão. A felicidade que essa resposta causou em Darcy foi a maior que até então conhecera. E ele a exprimiu nos termos mais calorosos que o seu coração de apaixonado pôde encontrar. Se Elizabeth tivesse podido levantar os olhos, teria visto que a felicidade de Darcy se refletia no rosto, infundindo-lhe uma animação que o tornava belo. Se não podia ver, Elizabeth, no entanto, podia ouvir. E Darcy
lhe revelou a importância que o afeto de Elizabeth tinha para ele. E a cada momento o seu amor crescia de importância aos olhos de Elizabeth.

Continuaram a caminhar sem uma direção precisa. Seus pensamentos os absorviam, e além disso tinham muito a sentir e a dizer. Elizabeth ficou sabendo que deviam o seu atual entendimento aos esforços da tia de Darcy. Lady Catherine, com efeito, de passagem em Londres, fora visitar o sobrinho e lhe relatara a sua viagem a Longbourn, suas causas e a conversa que tivera com Elizabeth, repetindo enfaticamente cada uma das expressões desta última, expressões que aos olhos de Lady Catherine denotavam a perversidade e o cinismo da moça, com o intuito de desacreditá-la perante o
seu sobrinho. Infelizmente para Sua Senhoria, o efeito tinha sido exatamente
o oposto.
— Eu, que não tinha mais esperanças, voltei a tê-las — acrescentou Darcy. — Conhecendo seu caráter, sabia que, se estivesse absoluta e
irrevogavelmente decidida a me recusar, tê-lo-ia dito a Lady Catherine com toda a franqueza.

Elizabeth enrubesceu e sorriu.

 

ORGULHO E PRECONCEITO, PGS 316-317. EDIÇÃO DA ABRIL CULTURAL.

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