Diários de uma pesquisadora #1: como tudo começou

E eis que estou aqui! Desde o post anterior anunciando mudanças eu estou louca para escrever, mas né?! Aulas, cólicas e aulas para o concurso acabam tomando muito tempo, e tudo que me restou foi usado para dormir.

Mesmo assim, enquanto fazia outras atividades caseiras (como lavar louça, varrer a casa, etc.), pensava nas palavras que usaria para começar esse texto, mas ele ficou absolutamente comum – o que é uma contraindicação sobre pensar demais.

Minha vida como pesquisadora começou no momento em que peguei os cadernos de inscrição das duas universidades que tem na minha cidade com a terrível tarefa de escolher o curso que definiria todo o resto da minha vida! Nem sei quantas vezes eu folheei aquelas páginas, lendo várias possíveis profissões e o quão maravilhosas elas eram para aqueles que se interessassem por elas. Fica aqui a minha primeira dica: nunca acredite nas descrições de cursos que as universidades oferecem, elas mentem! E muito! 

Eu escolhi o curso, História, e, de tão certa que estava, marquei o mesmo curso nas duas. E sim, me arrependo. Consegui passar nas duas, e se fosse hoje, teria colocado um curso diferente em uma delas e tentado cursar os dois. Marquei “História” convicta de que seria pesquisadora, que minha vida seria maravilhosa e que tudo era lindo! Shame on me!

O primeiro choque é desaprender tudo o que você conseguiu colocar na sua cabecinha ao longo de… 10 anos de vida escolar. Pegue tudo, jogue fora, recolha um caderno em branco (ou um novo arquivo do word, se você for muito high tech) e comece a colocar várias informações de volta.

Viver apenas com pesquisa no Brasil é uma tarefa inexistente! Se você quer pesquisar, e ser reconhecido por isso, conforme-se em ser professor também. Porque ainda não conheci um pesquisador que não fosse professor. Mas eu, que nunca tinha pensado em lecionar, me deparei com essa realidade chocante.

Vai a minha segunda dica: depois que entrar na universidade, comece a pesquisar todos os podres do curso que você escolheu. Se ainda sim quiser continuar nele, é porque achou a profissão certa.

Gosto muito de História. Como sempre digo, depois que entrei no curso perdi minha inocência. Não consigo mais ver o mundo sem o olhar crítico que 5 anos e meio de curso me deram. Mas o outro lado da balança foi tão negativo. Minha primeira crítica ao curso de História da UFCG é que eles não te estimulam em momento algum a ser professor. Quando entrei, ainda existia o bacharelado, mas em 2010, salvo engano, eles ficaram apenas com a licenciatura.

Um curso ideal de licenciatura, deveria preparar desde o princípio os seus alunos a lidar com o ensino. Deixei minha licenciatura para o final, o último ano, e foi uma bagunça tão grande que só vou ter noção do que é dar aula quando estiver sozinha numa sala de aula, sem o amparo de um professor experiente.

Voltando: depois que descobrir os podres do curso e querendo continuar nele, veja quais as oportunidades que ele pode te dar. Eu entrei sem saber nada o que acontecia lá dentro, entrei feríssima nesse sentido. Quando já estava lá pelo 4º ou 5º período, com a grade toda bagunçada, com disciplinas pela manhã, tarde e noite, foi que me dei conta das chances que perdi por não saber o quanto elas seriam importantes para o meu currículo.

Monitoria, bolsas Pibic e projetos de extensão – ainda que seja como voluntário – contam muitos pontos no seu currículo. Procure se informar sempre que abrir uma vaga, quando será a prova, se aproxime do professor que estiver a frente de um projeto que lhe interesse e se joga! Não tenha medo de ser feliz. Mas prepare-se para os relatórios. Sempre via o pessoal sofrendo em época de entregar o relatório.

Eu, infelizmente, nunca consegui monitoria ou Pibic. Participei rapidamente de dois projetos, mas que não foram muito para frente. E hoje sofro com isso – posso não conseguir bolsa no mestrado porque minha classificação ficou baixa devido ao meu currículo pobre.

Então pensem muito bem qual curso você vai escolher, para não perder tempo trancando ou fazendo outro vestibular. Nenhum deles é o que parece, então se tiver a oportunidade de conversar com algum aluno e algum professor antes de marcar a escolha na sua inscrição, não deixe de fazê-lo. É muito importante pois eles vão te dar os pontos positivos e negativos. Cabe a você colocar na balança e ver se vai valer a pena.

Estou eu no mestrado, em parte arrependida por não ter feito outra escolha no passado, ao mesmo tempo em que tento compensar as frustrações trabalhando com uma coisa que eu amo: literatura!

Sei que o momento Enem já passou, mas o resultado dele vale por dois anos pelo Sisu, então não desperdicem seu tempo com uma coisa que não te faz bem. Dica 3: sempre trabalhe com algo apaixonante.

Até a próxima!

;]

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One thought on “Diários de uma pesquisadora #1: como tudo começou

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